Professora da Unicamp investigada por furto de vírus estuda vacinas e doenças em animais

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A professora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), investigada por furto de um vírus dentro da universidade, desenvolve pesquisas voltadas à criação de vacinas e ao estudo de doenças em animais, incluindo aquelas que podem ser transmitidas a humanos.

Ela também integra o Comitê de Ética em Pesquisa da universidade, segundo lista oficial de membros da gestão 2024-2028.

Miller, de 36 anos, atuava na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e coordenava um laboratório com foco em virologia e biotecnologia aplicada a alimentos.

Ela foi presa em flagrante na segunda-feira (23), após a Polícia Federal localizar as amostras virais em laboratórios usados pela professora. Solta em audiência de custódia, Miller está proibida de entrar nos laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação.

A defesa da docente afirma que não há materialidade de furto e sustenta que a pesquisadora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria.

Linhas de pesquisa

As principais frentes de atuação da pesquisadora incluem:

  • Desenvolvimento de vacinas: criação de imunizantes, principalmente para uso veterinário, e estudo de novas formas de produção em laboratório, mais rápidas e eficientes.
  • Doenças em aves: pesquisa sobre vírus que afetam a avicultura, com foco em diagnóstico e controle, área relevante para a produção de alimentos.
  • Vírus em animais: monitoramento de vírus em aves, morcegos e outros animais, com objetivo de identificar riscos de transmissão para humanos.
  • Vírus respiratórios: estudos voltados ao desenvolvimento de novas formas de tratamento para infecções respiratórias, especialmente em grupos mais vulneráveis.

As informações constam no currículo Lattes e em descrições de projetos acadêmicos em andamento da docente.

Miller, que nasceu na Argentina, é biotecnologista pela Universidade Nacional de Rosario e doutora em ciências na área de fármacos, medicamentos e insumos para saúde pela Unicamp.

Entre 2017 e 2022, trabalhou como analista no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer.

Investigação

A investigação teve início após o desaparecimento de amostras de um laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, em fevereiro. Após apuração, o material foi localizado em instalações da FEA, onde a professora atua.

A pesquisadora foi presa em flagrante pela Polícia Federal e liberada após audiência de custódia.

Segundo a Justiça Federal, ela deve responder por suspeitas de:

  • crimes relacionados à manipulação irregular de organismos geneticamente modificados;
  • exposição de pessoas a risco;
  • e possível interferência em investigação.

O material apreendido foi encaminhado para análise por órgãos federais, e o caso segue sob sigilo.

A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso.

Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça — Foto: Reprodução

Nível de biossegurança

As amostras de vírus que teriam sido levadas do laboratório de virologia foram retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil.

🔎 A classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV).

O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança está em construção em Campinas, com previsão de ficar pronto em 2027.

Unicamp interdita laboratórios após furto de material de pesquisa, e Polícia Federal é acionada — Foto: Junia Vasconcelos/EPTV

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